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Fátima's Bistrot

Petiscos diários ou menos diários, dependendo da disponibilidade de um ser humano comum...

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Petiscos diários ou menos diários, dependendo da disponibilidade de um ser humano comum...

Sex | 21.11.08

E as criancinhas, Senhor...

Volto a blogar triste e desolada com o mundo que me rodeia. Não em minha casa, porque eu vivo no Paraíso. Em pleno século XXI, eu que nasci e passei a minha infância no século passado, vejo coisas que me parecessem da Idade Média...

Esta semana uma criança que eu conheço, que anda no Ensino Básico, fez anos e imagine-se não teve direito a prenda. Nem sequer um brinquedo da Loja dos 300, nada, zero, nadinha... Apenas um Bolo de Anos que teve de repartir com todos os colegas de Escola comendo ele apenas duas mini fatias...

Inicialmente o bolo era para lhe ser oferecido pela Professora (uma mãe como eu que viu a tristeza de quem não tem nada, nem mesmo bolo de anos), porque a mãe dizia que a criança não queria bolo, queria antes umas botas! (Como se houvesse alguma criança que não quisesse bolo!)

Todavia, dois dias antes do aniversário, o padrasto da criança, para ficar bem visto, disse que oferecia o bolo, e nós parvas, acreditamos, nunca pensando que as tais ditas botas que a criança tanto precisa deixassem de ser a prenda prometida.

Chega-se o dia de anos o Bolo lá aparece dividido por 50 pessoas, e ao aniversariante cabem duas mini-fatias...

Logo nesse intante perguntei à criança pela prenda prometida: então já recebeste as botas?

Resposta da mãe: Não as botas são a prenda do Natal!

E eu: A prenda de Natal? Você prometeu-lhas para os anos... Então qual foi a prenda dele?

E ela: O Bolo!

E eu e a professora em coro: Bolo não é prenda de anos!

E ela: As botas são para o Natal!

E verdade verdadinha nada lhe foi oferecido, nem sequer pela própria mãe, nem sequer as botas que tanta falta lhe estão a fazer...

Ontem, fui à minha arrecadação e tirei de lá algus brinquedos do meu filho, um ainda dentro da caixa e com o qual ele nunca brincou, outros REPETIDOS, tanta era a fartura, e embrulheio-os bem embrulhadinhos, com laço e tudo.

Hoje entreguei-os a tão infeliz criança que a mãe diz não gostar de brinquedos e era ver aquele brilhinho nos olhos, a alegria de quem nada tem e que com tão pouco se contenta...

E hoje sim, hoje é que ele fez anos, porque hoje é que ele recebeu as prendas de uma mãe que não sendo a dele, teve vergonha da mãe dele...

Se é verdade que os pais têm de ter sorte em relação aos filhos, não é menos verdade que os filhos também têm de ter sorte em relação aos pais, porque não os podem escolher!

A ti F. os meus parabéns, que um dia a vida te possa compensar por tudo aquilo que te tem faltado até hoje: O AMOR DE MÃE (e esse não há dinheiro que compre)...